Sabático: Desejo ou Necessidade? – Por Adriana Machado

Em um mundo altamente competitivo, onde a falta de tempo é frequentemente usada como justificativa para não se fazer muitas coisas, e em que acompanhar minimamente o que se passa na atualidade requer grande esforço, a ideia de se tirar um período sabático passa de desejo a utopia quase instantaneamente. Entretanto, não seria uma necessidade?

Quando buscamos a definição de sabático, encontramos desde pausa ou mudança de rotina até períodos formais de licença do trabalho para se atingir um determinado objetivo, adquirir um conhecimento específico, ou desenvolver uma pesquisa ou estudo mais elaborado. Há sabáticos patrocinados pelo empregador com processo estruturado, mas também pode simplesmente representar uma decisão pessoal. Há sabáticos que requerem viagem e outros que podem acontecer sem sair de casa. Há lugares que chegam a definir o prazo como sendo de dois meses a um ano, mas o certo é que este depende do objetivo e do momento de vida em que nos encontramos.

Quando o objetivo inclui adquirir conhecimento mais profundo, um período sabático precisa ser longo o suficiente para tanto e executá-lo requer mais planejamento, preparo e perseverança. Quando focamos demasiadamente em um projeto e ficamos tão imersos em uma realidade que é fácil dar lugar ao stress e à insatisfação, uma pausa, por menor que seja, pode permitir uma melhor compreensão do todo, favorecer a construção de um sentido maior de propósito, ou simplesmente ajudar a clarear a mente de forma a facilitar a tomada de decisão.

Seja qual for o caso, há vasta literatura com dicas de como planejar e executar um período sabático, seja ele curto ou longo. Há livros com dicas práticas que ajudam a fazer uma reflexão profunda da vida, se este é o seu objetivo, ou simplesmente a realinhar a trajetória.

Um livro que destaco é “Reboot your life” de Catherine Allen, Nancy Bearg, Rita Foley, e Jaye Smith. Elas partem do princípio que “para ser competitivo como nação e prosperar como indivíduos no século XXI, todos nós precisamos de tempo para nos renovarmos e nos revitalizarmos”. O livro ajuda a criar um ciclo mais desejável de trabalho, relaxamento e desenvolvimento pessoal. As autoras também promovem retiros nos Estados Unidos que ajudam as pessoas a pensarem e planejarem seu tempo de pausa.

Outro que pode servir de guia a qualquer momento e que oferece exercícios práticos de “design thinking” para a vida é o “Designing your Life”, de Bill Burnett & Dave Evans. Eles ensinam a fazer “mind mapping” e outras técnicas usadas por “designers” para construir o caminho a seguir. Segundo os autores, “uma vida bem desenhada é aquela que é geradora, ou seja, constantemente criativa, produtiva, cambiante, evolutiva, e que sempre oferece a possibilidade de surpreender”.

No meu caso, me propus a mudar de país com a família, deixar uma posição de destaque profissional, e me abrir para novos conhecimentos que me trouxeram diferentes perspectivas e conexōes. Agradeço profundamente a oportunidade de fazer esta pausa e sinto que o que tenho vivido neste período, agregado à minha experiência anterior, tem me levado a caminhos que não poderia ter imaginado no planejamento original. Ampliar horizontes pode trazer grande satisfação.

Considero sábia a definição bíblica de sabático como sendo algo que serve à necessidade humana de se ter momentos de descanso ao longo da vida. Sejam estes momentos de pausa algo que praticamos com regularidade no dia-a-dia, ou mesmo a prática de “mindfulness” nas nossas ações cotidianas, ou até um afastamento formal das atividades profissionais para busca de novo conhecimento ou experiência, o importante é perceber o que faz sentido para você e experimentar. Tenho certeza que poderá ser a solução para algum desafio do caminho. Reflita, planeje e aproveite!

Adriana Machado

Adriana Machado é natural da cidade de Niterói, no Rio de Janeiro e possui formação em Ciência Política pela Universidade de Brasília (UNB). Começou sua carreira como assistente de pesquisa trabalhando em projetos do Instituto de Pesquisa Aplicada – Ipea, Instituto de Estudos Políticos – Idesp e Fundação Ford. Além disso, trabalhou como consultora na Secretaria de Assuntos Estratégicos da Presidência da República do Brasil, e como conselheira política para os Estados Unidos da América na Embaixada Americana em Brasília. De 2001 a 2007, Adriana trabalhou para a Câmara Americana de Comércio para o Brasil – Amcham, em São Paulo, onde ocupou diversos cargos. De 2007 a 2009, atuou como diretora de Relações Governamentais da Intel no Brasil. Por fim, ingressou na GE em 2009, como diretora de Relações Governamentais e, em dezembro de 2011, tornou-se a primeira mulher na história da empresa a representar os negócios da multinacional no Brasil. De agosto de 2013 a julho de 2015 exerceu a função de Vice-Presidente para Assuntos Governamentais e Políticas Públicas para a GE na América Latina. Atualmente encontra-se em período sabático, participa como membro do Conselho da América Solidária US e mora em Miami na Flórida.

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