Os efeitos de uma sociedade de padrões estéticos.

 

Os efeitos de uma sociedade de padrões estéticos: Desde a época da chegada dos lusitanos  à Terra de Vera Cruz, pôde-se constatar que índios, seus primeiros habitantes, já se preocupavam com a estética corporal. Tintas, enfeites e penduricarias eram usados de forma a se embelezar de maneira singular a tribo e distanciar-se de espíritos maus, além de outros usos. Nos dias atuais, ainda vemos uma gritante semelhança por essa busca que se tornou incessante, a atingir o ideal padrão estético social.

A rotulação de um padrão do corpo perfeito é imposto de maneira diária, com uma verdadeira massificação e bombardeio de informações. Seja estampado nas capas de revistas ou em tutoriais espalhados na internet, homens e mulheres com corpos torneados destacam o ideal de perfeição. Até aí tudo bem! Mas o problema é que, no mundo dos mortais, esse padrão é praticamente impossível de ser galgado, tendo como resultando em uma sociedade alienada e frustrada por nunca alcançar o que lhe é imposto, num típico sentimento de derrotado. O sentimento que é imposto e se desenvolve é: se estiver fora daqueles padrões, o homem não é saudável, desejado, belo e “apto para o consumo”.

Nesse mercantilismo voraz, a indústria da beleza impõe “padrões ideais” para que as pessoas sigam à risca. Essa aceitação à tentativa de padronização incutida dos mais diversos moldes pode causar terríveis impactos e consequências, no que se refere ao âmbito físico e psicológico., até mesmo para quem não segue esses padrões.

Os procedimentos cirúrgicos aos quais se submetem esse grupo, quando realizados em clínicas não legalizadas, em condições não favoráveis, podem trazer sérias complicações, como infecções, as quais podem levar a óbito. Sem considerar as dietas que, quando realizadas sem orientação de nutricionistas, podem causar vários transtornos e doenças como a gastrite, desnutrição, anorexia e bulimia.

Normalmente encontramos pessoas que afirmam já ter se submetido a alguns tipos de intervenções com a finalidade apenas de mudar a sua aparência. Algumas se dizem ainda insatisfeitas e tencionam continuar a busca pelo corpo imaginário que tanto vislumbram. Tal luta é inglória, haja vista que a aparência, por melhor que seja, ainda é insatisfatória. Tudo aquilo que se adquiriu ou conquistou continua insuficiente.

No caso de adolescentes e crianças, que ainda estão desenvolvendo a sua estrutura corpórea, a preocupação com a sua forma física é elevada, a ponto de querer adequar sua aparência aos moldes estéticos dos adultos, num ilusório ideal de beleza. Nessa busca, utilizam recursos como tatuagens, maquiagens, piercings, adereços, roupas diferenciadas, entre vários outros.

Pessoas que buscam adequar-se às normas de estética podem ficar frustradas quando percebem que não é  possível adquirir a perfeição. Em contrapartida, ainda existem pessoas que não estão se importando em seguir esses padrões. Alguns até pensam à respeito, mas não se esforçam para isso. Essa parcela da população geralmente é vítima de preconceito, seja por estar acima do peso ou não possuir um corpo bem definido em termos de musculatura. Para as pessoas sensíveis ao preconceito, isso pode acarretar até depressão.

Caro leitor, é incrível e preocupante como geralmente a sociedade nos faz enxergar o nosso corpo como máquina, fazendo perceber que essas máquinas fora dos padrões definidos e impostos são defeituosas e a “cura” só virá quando houver o devido encaixe nesse padrão.

Os dados são cada vez mais estarrecedores. Pesquisas indicaram que apenas 4% das mulheres do mundo se considera bonita e a maioria esmagadora está em busca de mudanças no corpo.

Quando essas mudanças derivam de uma postura autocrítica, de optar por ser saudável, ao invés de se encaixar no que a indústria exige, tudo bem! Porém o grande perigo reside quando a necessidade desse “encaixe” existe, pretendendo o mundo lindo e maravilhoso do belo, que as capas de revistas insistem em exibir. É um tal de puxar ferro o dia todo, alisamento de cabelo pra lá, aparelhos ortodônticos pra lá… sempre num processo zumbi de escravidão. Mas, até onde a mulher é manipulada ou programada com o intuito de atender certos padrões? Até onde ela vai – e tem o caminho livre para tal – na intenção de agradar os outros, para ser vista, chamando atenção para si?

Essas padronizações não possuem respeito algum aos biotipos. Desconsideram que o corpo humano é esteticamente plural, cada um com a sua característica que lhe é peculiar. Em meio a tantas misturas e formas, é crueldade eleger apenas uma como legítima e digna de representar o belo.

 De acordo com o que foi abordado até o presente momento nesse texto, dá pra se observar que a sociedade necessita de “liberdade” a esse padrão imposto. Essa “revolução” pode ser iniciada pela própria mídia, ao colocar diferentes estilos para a melhora da autoestima dos “divergentes” sociais. A Escola também teria um papel estratégico, podendo ser o berço de uma nova conceituação do belo, através de projetos que abordem e garantam a equidade de gêneros, etnias e feições.

A beleza possui sim seu valor e utilidade, mas não faz milagres. Cuidar da aparência é legítimo e importante, evitando os exageros, que podem nos conduzir a uma existência não tão saudável, desviando nossa atenção ao que realmente importa na nossa vida.

O nosso corpo, nosso abrigo, vivencia as primeiras impressões e interações com o mundo, de maneira sensorial. Seus aromas, sons, luzes, sensações de frio e calor. É bom lembrar que muito antes do aparecimento da linguagem nos expressamos através do corpo, criando um canal de comunicação com o outro.

Portanto, o corpo é a libertação, é a nossa existência física, feito de matéria, como tudo ao nosso redor. É o que nos designa e nos coloca neste mundo como seres humanos pensantes e agentes modificadores de uma sociedade ou contexto e não deve ser projetado como grades que nos impedem de manter relações com o mundo externo de forma saudável e harmoniosa.

Pense nisso!

Giorgio Leonel

Giorgio Leonel

Engenheiro de Produção e Professor.

Idealizador do ideiando.com

3 comentários sobre “Os efeitos de uma sociedade de padrões estéticos.

  1. infelizmente vivemos em um mundo em que cada um quer ficar mais bonito que o outro e não aceitando o que realmente somos, loiros querendo ser morenos, dos mais radicais até mudando a cor dos olhos.

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  2. muito bom esses textos dessa semana, parabéns!
    Na minha opinião tudo que é exagerado fica feio, aquelas pessoas musculosas demais não sou contra quem curte, mas tudo tem que ter controle senão se torna prejudicial a saúde os efeitos começam a surgir lá na frente e você se torna escravo daquele padrão que você aderiu.

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