Sustentabilidade Cultural *Por Flavia Suano de Carvalho

 

A sustentabilidade cultural vai de encontro para uma nova abordagem interdisciplinar, dedicada a aumentar o significado da cultura e a importância das suas características tangíveis e intangíveis nos campos locais, regionais e globais para o  desenvolvimento sustentável. A cultura é um aspecto crucial da sustentabilidade, pois demonstra como encaramos os nossos recursos naturais, e sobretudo como construímos e cuidamos das nossas relações com os outros a curto e longo prazo, com vista à criação de um mundo mais sustentável a todos os níveis sociais. Quando a cultura passa a ser vista como base do desenvolvimento, a noção de políticas culturais também deve ser ampliada. Além de agregar uma multiplicidade de agentes sociais, uma política orientada para o desenvolvimento cultural só pode ser implementada com a participação ativa das pessoas. Dessa forma, um desafio atual é a formulação de políticas culturais que atendam à demanda de maior participação individual e local na vida cultural da sociedade. Também em um contexto economico sedo ele regional e global, o setor cultural deve ser apoiado de forma efetiva e envolver a todos os agentes, sendo fundamental para isso contar com a articulação entre diferentes instâncias e com a constituição de redes e parcerias. No Brasil, a questão da sustentabilidade da cultura vem sendo freqüentemente abordada em sua dimensão econômica, especialmente por sua potencialidade na geração de renda e emprego, assim como na sua participação no Produto Interno Bruto (PIB), contribuindo para o desenvolvimento do país. A cultura precisa ser sustentada simplesmente porque é cultura e não por ser alavanca para a geração de emprego ou para o aumento do PIB nacional, precisa ter condições para reproduzir-se como cultura. Dentro dessa perspectiva, políticas culturais voltadas para a sustentabilidade cultural poderiam buscar formas para desenvolver certas capacidades e também para fomentar a participação dos agentes sociais, garantindo a pluralidade e a diversidade como forma de vida democrática, assim como o acesso à cultura, como um direito a ser assegurado tanto pelas instituições públicas, quanto pela sociedade em geral. 

 

 

 

Segundo a pesquisadora e mestre em Educação pela FAE/UFMG Maria Helena Cunha (2007) aborda a sustentabilidade nas iniciativas culturais, de instituições formais e informais que compõem o conjunto estrutural do setor, destacando a importância de se pensar num sistema de financiamento da cultura mais consistente e diversificado que agregue o poder público, a iniciativa privada e o próprio campo da gestão cultural. E através disso aborda alguns pontos:

 

 

  •  Estruturar as instituições culturais pelo desenvolvimento de trabalhos com base em planos, programas e projetos, permitindo o seu fortalecimento e uma articulação maior entre as várias ações implementadas, além de exigir uma visão de médio ou longo prazo, com objetivos a serem alcançados.
  • Aprofundar uma campanha nacional que lute por recursos públicos diretos para iniciativas de cunho não mercadológico, o que precisa vir ao lado de um incremento dos orçamentos destinados à cultura e pelo reconhecimento da importância de se canalizar recursos privados para o setor cultural, o que implica em mudanças de valores, ou seja, culturais.
  •  Fortalecer linhas  específicas para a pesquisa e a formação, para que se possa dar um salto de qualidade e de estruturação do campo como setor produtivo. Também seria fundamental buscar o aprimoramento das leis de incentivo à cultura, estimulando a criação de fundos culturais públicos.  Apesar de ser uma visão específica de sustentabilidade da cultura, com foco na questão do financiamento, os pontos apontados por Cunha são de suma importância na perspectiva das políticas culturais.

 

E no entanto temos como exemplo duas fundações que fazem muita diferença levando a cultura em lugares carentes:

Na região da Serra da Capivara, no  Estado do Piauí, a Fumdham – Fundação Museu do Homem Americano, cuida de um dos maiores tesouros culturais da humanidade, já que ali se localiza o maior sítio arqueológico de pinturas rupestres do planeta. Por conta disso, a Fumdham executa diversas ações de cunho social para proteger a cultura local. Além disso, investe na educação dos habitantes piauienses, promovendo ações sobretudo com jovens e crianças.

Já no Pantanal sul-mato-grossense,  a bailarina Marcia Rolom, teve a sua vida dedicada a dança, iniciou projetos no município de Corumbá e fundou o Moinho Cultural, um espaço com aulas de dança, música e outras artes. Dessa maneira, em vez de ficarem na rua, as crianças ficam no Moinho de tarde ou no período que não estão na escola. Para ter o direito de fazer a aula é preciso ter notas boas na escola e também envolver os pais em alguma atividade lá dentro.

Fumdham e Marcia Rolom são exemplos claros de que é possível trabalhar a cultura de forma respeitosa e para uma causa socialmente justa. 

 

 

Flavia Suano

Formada em Administração de Empresas

Membro Ideiando.com

 

 

 

 

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