Filantropia e Responsabilidade Social

De acordo com o Dicionário Houaiss, o termo Filantropia é descrito como “profundo amor à humanidade, desprendimento, generosidade, caridade”. Esta expressão provém do grego, e tem o sentido de ‘amor à humanidade. Carregada por um elevado senso de dever moral pelo seu praticante, seja pessoa física ou jurídica. É uma ação de assistencialismo, não objetivando nenhuma espera de trocas ou algum tipo de planejamento.

Consiste na prática de dar auxílio a pessoas ou instituições que realizam tarefas de elevado teor social e altruísta, seja contando com dinheiro ou outros patrimônios financeiros. As pessoas filantrópicas na sua essência realmente creem na possibilidade de modificação dos rumos de uma sociedade sem a necessidade de intervenção governamental.

Atitudes dessa natureza tendem a se destacar em momentos de crises econômicas, como a que o país atravessa atualmente, crises institucionais e até quando ocorrem desastres naturais. Artistas e intelectuais famosos são os primeiros que se levantam, se posicionam e abraçam a causa humanitária, cultural ou espiritual. Através do voluntariado, por exemplo, um grupo investe (sim, investe!) parte do seu tempo visando contribuir com uma causa solidária sem esperar nenhuma compensação financeira, dando tempo e atenção para outras pessoas apenas com o intuito de fazer o bem, se sentido melhor porque conseguiu ajudar, seja em igrejas, hospitais, abrigos ou escolas.

Responsabilidade social é um conceito associado à filantropia, que pode ser definida como um conjunto de ações que visam a promoção da melhoria da qualidade de vida de determinados grupos de pessoas ou comunidade, por intermédio de ações direcionadas para a educação, produção e distribuição de renda, envolvendo também aspectos ambientais e sociais, relacionados com a sustentabilidade e lucratividade do negócio da empresa. A ideia é cuidar da sociedade e do meio ambiente. Com este sentido, a empresa pode se responsabilizar por responder pelos seus atos de produzir e explorar recursos naturais e sociais do meio em que está inserida.

Nós, brasileiros, somos pessoas generosas?

As estatísticas indicam que não. Ao se fazer um simples comparativo entre os brasileiros que pagam imposto de renda veremos que, em média, uma pessoa gasta R$25,00 por ano em doações, enquanto que nos Estados unidos o valor chega a aproximadamente R$ 1.100,00 para a mesma intenção

Alguns dos motivos que explicam tamanha diferença é que, primeiramente, os brasileiros têm, em média, menos dinheiro que os americanos. No Brasil, não existe a cultura de levar a sério o fato de contribuir para obras ou entidades meritórias. Preferem dar esmolas uma vez ou outra para os pedintes que se aglomeram nas ruas, mas no geral têm pouco interesse quando se trata de ações consistentes de ajuda ao próximo, mostrando um perfil individualista da maioria da sociedade.

A distância entre as entidades beneficentes e seus colaboradores potenciais, sejam pessoas físicas ou jurídicas, reside na falta de transparência na maneira de administrar as entidades, bem como na pouca ou nenhuma divulgação dos resultados das ações e projetos, além da não clareza ou escassez de informações sobre como fazer a doação de maneira eficiente. Fazer caridade, para que ela seja realmente eficaz, exige participação intensa no processo.

Desse modo, podemos perceber que a filantropia não se desenvolve só na esfera micro, mas também nos âmbitos de influência global, que utilizam esta prática até mesmo para sensibilizar estadistas locais e globais. De maneira mais ampla, torna-se essencial saber como lidar com tais conceitos, como desenvolvimento sustentável, por exemplo.

Em um modelo de sociedade globalizada onde se valoriza a sobrevivência do mais forte ou do competente, o culto da competência, do individualismo, nos traz uma compreensão de que, infelizmente, certos problemas sociais em alguns segmentos da sociedade irão piorar. Ações de socorro à pobreza e miséria tenderão a melhorar, mas o mesmo provavelmente não se aplique ao pobre e paraplégico.

Precisamos refletir a respeito da causa que se abraça e qual tipo de retorno virá para a sociedade. Querendo ou não, o tema filantropia aparecerá cada vez mais nas empresas brasileiras, fazendo parte da estratégia global delas.

Esta será uma escolha bastante complexa e árdua para as instituições filantrópicas. Além de precisarem dar conta dos frutos de seus investimentos, eles têm consciência do quanto é longo o prazo para que uma transformação social venha a se processar e se consolidar. Pense nisso!

Giorgio Leonel

Giorgio Leonel

Engenheiro de Produção e Professor

Idealizador do ideiando.com

 

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