O que é Filantropia Estratégica?

No Brasil, a maioria das empresas adotam (quando o fazem) uma política filantrópica bastante incipiente. A grosso modo, podemos afirmar que a “filosofia” é dividida em duas etapas: Quando da análise de investimentos e aportes financeiros para o ano, prevê-se uma irrisória parcela de recursos para fomento da política filantrópica.

Podemos também ilustrar o que ocorre em cidades menores, onde vereadores, primeira dama e até a cônjuge do seu maior cliente, solicitam verbas para serem “investidas” em finalidades filantrópicas.

O legal disso tudo é que esse pouco dinheiro acaba sendo investido em inúmeras causas, mas aparecem inúmeros entraves que prejudicam o processo.

As entidades que foram beneficiadas não serem bem administradas, as causas apoiadas não são prioritárias, entre vários outros fatores. Aí o que acontece?

A Empresa imagina que está fazendo filantropia ao distribuir dinheiro, mas na realidade ela está tão somente com uma política de doações, não com uma estratégia filantrópica.

É como se a Empresa estivesse jogando os recursos caridosos por um sumidouro sem tamanho mensurável. Ninguém se orgulha desse gasto, os consumidores nunca ficam sabendo realmente do empenho investido.

Como efeito em cascata, com base nas justificativas já analisadas, se a primeira dama não envia nem um cartão de natal em agradecimento ao dinheiro doado pela companhia, imagine enviar uma planilha ou um relatório de como os recursos foram aplicados e quais benefícios foram trazidos.

Para completar o efeito negativo da filantropia feita de maneira equivocada, chega a reunião com os acionistas da empresa que doou e eles, cobertos de razão, analisam que este montante não foi mais que desperdício e que realmente não acrescentaram nada às soluções de problemas sociais que se propunham.

Então resolvem não mais destinar recursos financeiros a partir do próximo ano.

Mas como mudar esta situação?

Vamos partir da seguinte linha de raciocínio: Toda Empresa quer causar o máximo de impacto positivo perante a comunidade que está colocado, certo?

E se isso fosse conseguido a partir de um mínimo de recursos e ter até retorno financeiro? Pode acontecer?

A resposta é sim!

A partir de uma mudança na sua filosofia e da adoção de uma estratégia realmente correta para viabilizar a mudança.

Não basta apenas o Departamento de Marketing dar o aval para apoiar bingos beneficente ou coisas do gênero que dará resultado.

Tais ações podem fazer com que os clientes se afastem da marca, por perceberem que aquela ajuda era apenas “jogada de marketing”.

É preciso mais! Ir além! Mudar de atitude.

Ao invés de canalizar recursos para uma dezena de entidades beneficentes, é bem mais interessante que se abrace uma determinada causa e ser reconhecido por este fato.

É necessário que as entidades beneficentes também adotem uma nova postura nessa dinâmica. Por exemplo, ter uma sede própria é importante?

Sim, é! Mas pode não ser a prioridade de muitas delas. Com a mudança de atitude das Empresas, os seus executivos poderão sugerir que a entidade alugue prédios enquanto se capitaliza.

A partir do momento que a Empresa tem claramente definida a sua filantropia estratégica ela passa a ter credibilidade e seriedade, dando possibilidade de cobrar resultados das instituições beneficiadas

O caminho do tesouro de uma boa estratégia filantrópica é encontrar a causa ideal para Empresa.

Pode-se iniciar conhecendo as inúmeras necessidades de cunho social existentes, além de sensibilizar os colaboradores a adotar a mesma filosofia, definindo os tipos de competências, interesses e desejos deles para, a partir da sugestão dos mesmos, canalizar e fazer uso de maneira eficiente.

Esta atitude coloca faz com que os colaboradores se sintam realmente engajados e orgulhosos de trabalhar em um local que defende uma determinada causa, produzindo cada vez mais.

O segredo é capturar uma causa social para si antes que o seu concorrente o faça.

Quando se define a causa a ser defendida, a consciência de marca da empresa aumenta, aumentando muito as chances de associação positiva com o público, o que pode render lucros interessantes para a empresa depois de algum tempo. Algumas pesquisas demonstram que em igualdade de qualidade e de preços dos produtos, as empresas que apoiam instituições beneficentes tendem a capturar 80% mais de clientes do que aquelas que não apoiam.

Os consumidores ficam felizes em serem clientes de empresas que apoiam uma determinada causa.

A filantropia estratégica de maneira assertiva por uma dada empresa pode ficar incutida na mente dos seus consumidores no momento de decidir entre alternativas para suprir as suas necessidades.

Ao ajudar uma causa nobre, utilizando uma estratégia de marketing eficiente, pode trazer um incremento substancial nas vendas e nos lucros.

Em suma, o investimento social privado, quando executado alinhado às diretrizes de sustentabilidade e responsabilidade social, às estratégias de negócio da empresa, realizando a correta integração da perspectiva interna e externa do negócio, gerando valor para a empresa e sociedade, torna a companhia como player (ou sujeito) do processo de transformação social de uma nação.

Pense nisso!

Giorgio Leonel

Giorgio Leonel

Engenheiro de Produção e Educador

Idealizador do ideiando.com

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