Com propósito, por favor. Adriana Machado

Seja no trabalho, seja nos momentos mais básicos do dia-a-dia, tenho observado um aumento da consciência das pessoas em relação aos benefícios de ter um propósito em mente para ter motivação e melhores resultados. Dizem que isso é coisa dos “millennials” (veja estudo da Deloitte sobre o tema), mas já parou para experimentar a diferença de fazer algo como um fim em si mesmo e fazer a mesma coisa como um meio para se alcançar algo maior e mais importante para a sua vida? 

Por exemplo, arrumar ou limpar a casa depois de um dia exaustivo no trabalho pode causar um tremendo mal humor, mas quando pensamos que nossos filhos brincarão ou comerão naquele ambiente nos enchemos de forças que brotam não sabemos de onde. 

No trabalho também não é diferente. Existe uma tendência crescente de termos cada vez maiores responsabilidades e menores prazos para entregar nossas prioridades, mas quando temos uma visão clara do que cada uma das ações significa para atingir um objetivo maior, algo que faça sentido para os times e para as pessoas em particular, fica mais fácil manter o foco e o comprometimento com a empresa. 

Há algum tempo que o movimento do Capitalismo Consciente tem chamado a atenção para o fato de que “ao focar em seu propósito mais profundo, uma empresa consciente inspira, envolve e energiza os seus stakeholders (partes interessadas). Funcionários, clientes e outros confiam, e até mesmo amam, empresas que têm um propósito inspirador”.

Outros conceitos relacionados são o da inovação social e do “intrapreneur”. O primeiro está descrito pelo Fórum Econômico Mundial (WEF) como sendo a aplicação de abordagens inovadoras, práticas, sustentáveis que beneficiem a sociedade em geral, e de baixa renda ou menos favorecidas em particular.

Apesar de estar tradicionalmente associado a empreendedores sociais, pequenas e grandes empresas têm adotado esta ferramenta complementar à responsabilidade social corporativa e incorporado a inovação social às suas estratégias de negócio e de operações. Veja relatório recente do WEF sobre inovação social.

Quanto ao termo “intrapreneur”, Perry Yeatman, a CEO do Perry Yeatman Global Partners, o descreve em seu artigo “How to be an intrapreneur” como sendo um agente de mudança dentro de uma organização que tem um foco específico de fazer ou economizar dinheiro para sua empresa ao mesmo tempo que ajuda a resolver um desafio da sociedade.

Segundo o WEF as empresas podem e devem criar valor social e valor comercial com a inovação social. Aliás, inovação é chave na busca de propósito, seja ele pessoal ou empresarial. Autores como o Prof. Vivek Wadhwa de Stanford, demonstram que o período em que vivemos é o mais inovativo de toda a história da humanidade e que a Lei de Moore está mais presente do que nunca com o surgimento de tecnologias que tornam o impossível possível. Para quem tem curiosidade de saber quais as principais inovações tecnológicas que estarão transformando o mundo em 2016, veja aqui seu artigo sobre o tema.

Da mesma forma que inovação virou mantra para resolver os problemas da humanidade, “mindfulness” virou fórmula de sucesso para o indivíduo se colocar mais presente no que faz e para obter mais satisfação e resultados.“Mindfulness” oferece um caminho de auto-conhecimento que leva a uma postura que nos conecta mais profundamente conosco mesmos e com nossas vidas, possibilitando realizações ainda mais significativas. Confira aqui alguns artigos mais detalhados sobre o tema.

Para ir da reflexão à prática na identificação de um propósito de vida que faça sentido para você, sugiro um exercício muito interessante de montar seu Ikigai, que significa “a razão de ser“. Segundo os japoneses, todos nós temos um Ikigai, ou seja, um propósito, algo que traz satisfação e sentido à vida, e podemos encontrá-lo na intersecção daquilo que amamos, com aquilo que somos bons em fazer, aquilo que somos pagos para fazer e aquilo que o mundo precisa (veja abaixo).

Não se esqueça de incluir inovação pelo menos no que o mundo precisa e comece a ter mais consciência do propósito da sua vida. Assim fica mais fácil lembrar de praticar o “mindfulness” e encontrar mais motivação e prazer nas tarefas cotidianas. Ter um propósito maior também nos permite calibrar a postura no trabalho, possibilitando uma reflexão de como você pode ser um agente de mudança, ou seja, um “social innovation intrapreneur”, ou mesmo questionar se está trabalhando no lugar certo ou como ajudar sua empresa a ir numa direção mais coerente com o seu propósito de vida.

Vá por mim (e esses autores citados e muitos outros): ter um propósito em mente faz toda a diferença. Usar esta reflexão para incluir mais inovação em sua vida e ajudar o mundo a encontrar saídas inovadoras para os seus desafios, também.

Adriana Machado

Adriana Machado é natural da cidade de Niterói, no Rio de Janeiro e possui formação em Ciência Política pela Universidade de Brasília (UNB). Começou sua carreira como assistente de pesquisa trabalhando em projetos do Instituto de Pesquisa Aplicada – Ipea, Instituto de Estudos Políticos – Idesp e Fundação Ford. Além disso, trabalhou como consultora na Secretaria de Assuntos Estratégicos da Presidência da República do Brasil, e como conselheira política para os Estados Unidos da América na Embaixada Americana em Brasília. De 2001 a 2007, Adriana trabalhou para a Câmara Americana de Comércio para o Brasil – Amcham, em São Paulo, onde ocupou diversos cargos. De 2007 a 2009, atuou como diretora de Relações Governamentais da Intel no Brasil. Por fim, ingressou na GE em 2009, como diretora de Relações Governamentais e, em dezembro de 2011, tornou-se a primeira mulher na história da empresa a representar os negócios da multinacional no Brasil. De agosto de 2013 a julho de 2015 exerceu a função de Vice-Presidente para Assuntos Governamentais e Políticas Públicas para a GE na América Latina. Atualmente encontra-se em período sabático, participa como membro do Conselho da América Solidária US e mora em Miami na Flórida.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *